06/09/2023

Autismo: Como a nutrição pode ajudar

Autismo: Como a nutrição pode ajudar

Por definição Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) são alterações significativas na comunicação, interação social e no comportamento de crianças. E essas podem trazer como consequência dificuldades adaptativas.

Além dessas características específicas, como o impacto no desenvolvimento cognitivo, o TEA causa desordens intestinais, manifestando redução na produção de enzimas digestivas, aumento de inflamações e alterações na saúde e funcionamento intestinal, que são fatores de risco para o agravamento dos sintomas da doença.

Diversos estudos apontam, de forma significativa, uma série de desequilíbrios fisiológicos e metabólicos no organismo de crianças com TEA, dentre eles podendo destacar: alterações na permeabilidade intestinal, disbiose, alergia alimentar, dificuldade para controlar esfíncter, distensão abdominal, dor abdominal, constipação, vômitos frequentes, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, intolerância alimentar, aumento da flatulência e refluxo gastroesofágico. Segundo estudiosos, a prevalência de sintomas gastrointestinais em crianças autistas é de 46-76%, enquanto em crianças sem o diagnóstico é de 10-30%.

Esses distúrbios podem estar relacionados a problemas alimentares, mais especificamente no aumento da permeabilidade intestinal e nas proteínas não digeridas do glúten e da caseína que ao serem absorvidas nas vilosidades intestinais, passam para corrente sanguínea, podendo produzir substâncias estimulantes no sistema nervoso central, provocando a hiperatividade e o distúrbio de déficit de atenção.

Mas infelizmente a abordagem nutricional na criança autista é muito negligenciada. Já que diversos estudos apontam que cuidados com a alimentação podem impactar no comportamento, desenvolvimento intelectual e a estabilidade emocional das crianças. A intervenção dietética tem como objetivo melhorar a saúde física e bem estar, tendo evidências sugestivas de que uma dieta livre de glúten e caseína pode melhorar os sintomas.

Desta forma, listamos alguns cuidados nutricionais que merecem atenção no TEA:

  1. Restrição alimentar de glúten e caseína. As proteínas encontradas no glúten e caseína podem levar a uma resposta inflamatória, que impede a absorção completa dos peptídeos, levando o aumento da toxicidade, já que atravessam a barreira hematoencefálica e atuam nos receptores opióides no sistema nervoso central, podendo agravar os sintomas. Glúten é o termo utilizado para descrever frações proteicas encontradas no trigo, centeio, cevada, aveia, malte e em seus derivados. E a caseína é a proteína de ocorrência natural e mais abundante no leite e seus derivados.
  2. Suplementação de nutrientes como: vitaminas do complexo B, C, A, E, D e minerais como Zinco e Magnésio e Ômega 3. Geralmente crianças com TEA apresentam menos concentrações desses nutrientes no organismo, e esses são importantes para equilíbrio no sistema nervoso central, redução dos sintomas de hiperatividade e irritabilidade, além de melhora imunológica e cognitiva.
  3. Introdução de Prebióticos e Probióticos: tendo em vista que diversos sintomas são causados pela permeabilidade intestinal, a introdução de prebióticos, como fibras inulina, fruto oligossacarídeos, polidextrose, psyllium, entre outros. Esses são substratos energéticos, não digeríveis que são fermentados pela microbiota intestinal e que estimulam o crescimento e atividade da microbiota. Além do uso de microrganismos vivos, chamados de probióticos, como kefir, kombucha ou outros suplementos prontos para venda conforme individualidade, são importantes para manutenção da integridade intestinal. Os probióticos, quando administrados em quantidades apropriadas, conferem benefício à saúde da microbiota. Por exemplo, Bifidobacterium e Lactobacillus limitam o número de bactérias patogênicas, estabilizando a microbiota intestinal, diminuindo a permeabilidade intestinal e o pH, além de fortalecer a função da barreira intestinal e estimular à resposta imune.
  4. Exclusão de aditivos: como corantes, aromatizantes, conservantes artificiais, glutamato monossódico e edulcorantes artificiais para redução dos quadros de sensibilidade intestinal, agitação e hiperatividade. Além do controle da ingestão de metais pesados, como mercúrio e alumínio, por suas contribuições em problemas patológicos e clínicos no TEA.
  5. Evitar/Excluir alimentos ultraprocessados e açúcares: ultraprocessados sãoaqueles que passam por muitas etapas de processamento e tem adição de múltiplos ingredientes, como sal, açúcar, óleos, gorduras e aditivos alimentares. A exclusão do açúcar é necessária, pois esse favorece a disbiose, que é o desequilíbrio da microbiota intestinal.

Vale destacar que é muito comum o quadro de seletividade alimentar apresentado por pessoas com diagnóstico de TEA, e por isso há necessidade de uma intervenção profissional, já que autistas apresentaram uma tendência ao maior consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, com restrições aos alimentos ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais.

Portanto, possivelmente, uma conduta de suplementação com antioxidantes pode promover um melhor prognóstico quanto à diminuição do estresse oxidativo e dos possíveis danos cerebrais nos autistas. Essa abordagem deve estar inserida em um programa multidisciplinar para melhoria da sua situação clínica e da sua capacidade de aprendizagem. Mas devemos destacar que cada indivíduo tem que ser avaliado pelo profissional competente que determinará a melhor conduta terapêutica a ser implementada.

Referências:

https://www.scielo.br/j/physis/a/WKnC7ffTK4CJZbgbCJRcChS/

https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/39573

https://revistas.unifoa.edu.br/praxis/article/view/3803

http://200.18.15.28/bitstream/1/7214/1/Autismo.pdf

https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/15704/14070

https://adventista.emnuvens.com.br/RBSF/article/view/1487/1070

 

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